Os piratas da Somália

17 11 2008

A Somália, o não-estado mais bem sucedido do mundo, está à beira do colapso total: num país em que dois terços já proclamaram a independência (Puntlândia) ou vivem em independência de facto (Somalilândia), o terço restante está quase a cair aos pés dos rebeldes islamistas – tal como já esteve antes, mas agora aparentemente nem os soldados etíopes conseguem ou querem evitar a tomada das principais cidades e infra-estruturas.

Não consigo desligar este colapso da recente escalada de ataques piratas ao largo da costa deste país e no estreito de Aden, por onde passa um terço do comércio marítimo mundial, vindo de e a caminho do canal de Suez. Num não-estado tão bem sucedido que dois dos seus portos já caíram nas mãos de piratas, é natural que estes ajam impunemente e consigam criar condições para ataques cada vez mais frequentes e ousados, como tem vindo a ser o caso.

Está ainda em posse destes piratas – não consigo saber quem serão, em termos de nacionalidade, por exemplo – um navio com 40 tanques ucranianos, há várias semanas, o que já parece bastante assustador (nem navios da armada russa conseguiram até agora desarmar os bem preparados piratas). Agora, tomaram de assalto um superpetroleiro saudita.

Continuo a assustar-me, sinto-me regressado no tempo ao ler estas notícias, ou penso estar a ler um livro do Sandokan… (o título deste post é plagiado de um desses livros de aventuras de Emilio Salgari que devorava em criança, “Os Piratas da Malásia”)

Mas não, incrivelmente é mesmo no nosso mundo que persistem águas e territórios sem lei nem grei (e cujo raio de acção se está a expandir…)., e começa-se agora a ver – tal como eu já tinha intuído há algum tempo – como isto nem é apenas um problema remoto nem se passa apenas num local remoto que não nos diz respeito.

Piratas e terroristas islâmicos, se é que ambos não estão interligados - será um problema bastante complicado de resolver…