O pequeno Salazar de Manuela Ferreira Leite

19 11 2008

A líder (?) do PSD insiste em ir dando tiros nos pés. Depois da oposição ao aumento do salário mínimo, depois da antipatia com trabalhadores cabo-verdianos e ucranianos, a sugestão de suspender a democracia como única forma de levar reformas avante quase parece que é apenas mais uma declaração polémica fez-me perceber porque é que ela passa tanto tempo calada…

Por muito que  possa ser uma ironia – por quase ninguém compreendida, de resto – não acredito que não haja um fundo de verdade no que disse. Ou que não fosse aquilo mesmo que ela queria dizer, travestido de ironia, estilo “a brincar se dizem as verdades”. Ou que ela não estivesse a falar a sério e depois tivesse disfarçado.

Seja qual for a hipótese correcta, esta frase é reveladora de algo mais. Costuma-se dizer que todos os portugueses têm um pequeno Salazar dentro deles. Pois bem, o de Ferreira Leite parece ter definitivamente acordado.





A educação da ministra e dos sindicatos

12 11 2008

120 mil professores manifestaram-se sábado em Lisboa. Segundo a ministra, são todos ou sindicalistas ou reféns dos interesses destes. Como não há assim tantos filiados em sindicatos, seria então de admitir que há dezenas de milhar de professores tremendamente ingénuos e manipuláveis – mas descontentes, isso é que não.

Ouvir as declarações da ministra no sábado (já que ouvir ou ver seja o que for sobre a manif propriamente dita foi quase impossível, tal deve ter sido o nível de pressão governamental para menosprezar o que se passou) foi constrangedor, tal o nível de autismo demonstrado. Simplesmente não percebe, ou não quer perceber, que o mal-estar entre os professores, por muita manipulação político-sindical que exista (e existe, como é óbvio), já vai neste momento muito para além disso. Não teríamos a esmagadora maioria da classe profissional na rua se assim não fosse.

Concorde-se ou não, tenham ou não razão, exige-se que sejam ouvidos. Isso é o mínimo. Depois, já chegámos a um ponto em que todos estão de má fé. Sim, os sindicatos – que aliás neste momento já nem representam a totalidade dos professores, pois existem movimentos constituídos especificamente por causa do que se está a passar; isso também não quer dizer nada, senhora ministra? – os sindicatos, dizia, voltaram atrás no que tinham acordado com a ministra.

Mas também esta não cumpriu, nem em Março nem muito menos agora, com o que diz ser a sua postura de diálogo. Estão todos de costas voltadas, todos chegados a um ponto tal que o orgulho não lhes permite dar o primeiro passo de entendimento. E, no entanto, é tão fácil.

O governo quer a toda a força prosseguir com o processo de avaliação dos professores. Estes dizem que são a favor da avaliação, mas não desta avaliação. Afirmam que lhes retira tempo para o que deviam fazer – dar aulas – que é absurda, burocrática, kafkiana, etc.~Meus caros, até concordo com vocês. Até estou do vosso lado. Mas cabe-vos provar o que dizem.

Sejam sérios. Sem se renderem à tal comissão paritária, cheguem simplesmente à 5 de Outubro e coloquem em cima da mesa uma proposta de modelo de avaliação alternativa, ou as vossas propostas de alteração (profundas, calculo) ao modelo ministerial: “está aqui”.

Aí, a bola estará no campo do governo. Caber-lhe-á então provar que também ele é sério – o que sinceramente duvido, mas então serão eles a ficar mal. E ambas as partes poderão então provar que o que dizem é a sério e entender-se-ão, e todos terão o que querem: o governo um modelo de avaliação, os professores um bom modelo de avaliação.

Assim, como estamos, é que não: o governo a fazer finca-pé num modelo de avaliação que até parece saber que é mau mas ao menos está lá, o que é preciso é avaliar à viva força; os professores a parecerem teimar que afinal não querem avaliação alguma. Pelo menos é isto que parece. Mas não é verdade, pois não?





Terá a crise batido no fundo?

13 10 2008

Com o forte impulso de confiança do tardio acordo europeu para restabelecer a confiança aos bancos europeus, hoje foi dia de respirar fundo e ganhar fôlego para os marinheiros financeiros – sobretudo para os portugueses, sempre os mais histéricos nas perdas (os ratos são sempre os primeiros a abandonar o barco) como nos ganhos.

Talvez o mäelstrom já tenha deixado de rodar, talvez não. Talvez já se tenha batido no fundo, talvez não. Só os próximos dias dirão. Para já, trata-se mesmo só disso: de ganhar fôlego para o futuro próximo e para o que ele trará, seja isso mais negrume ou o início da escalada do poço.

Penso que ainda não vimos no entanto tudo. O fundo do poço já deve estar próximo, porque toda a gente – falo de “toda a gente” que manda – já percebeu a enorme extensão do que se passa, mesmo ignorando quão enorme tudo acabará eventualmente por ser. Por isso digo: o fundo do poço, financeiramente falando, não poderá estar já muito longe, mais não seja porque já não parece haver muito mais para descer.

Depois, será recolher os cacos e perceber o que se poderá fazer para construir um novo sistema, mais forte e imune a este tipo de crise-dominó. Ainda mais importante, depois será prepararmo-nos para os efeitos sobre a economia real: crescimento zero, novamente o aumento do desemprego, em Portugal novamente o fantasma do défice…

É uma década completamente perdida para Portugal, estes anos 00.

Não se pode hibernar e acordar daqui a uns anos, num país líder em energias renováveis – produção de ventoínhas, centrais de energia a partir de ondas do mar, centrais fotovoltaicas hiper-eficientes de patente portuguesa, crescimento económico a 5% impulsionado pelo cluster dos engenheiros informáticos crescidos a dormir a Magalhães de peluche (mas que não sabem quem foi Fernando Pessoa ou D. João II nem escrever “??” sem erros) ?





O jogo do empurra no mercado do Bolhão

18 09 2008

A Câmara Municipal do Porto e a TCN romperam definitivamente o acordo para a requalificação do mercado do Bolhão. É um processo em que não se percebe muito bem de quem partiu a iniciativa de o romper ou quem se arrependeu primeiro: se a empresa de um negócio cujos termos já não eram bem aqueles com que partira (mas que deveria ter pelo menos colocado como possibilidade, dado o mercado do Bolhão ser um imóvel classificado, o que também deveria saber), se a Câmara do Porto de um processo que se tornou publicamente polémico e politicamente incómodo, para mais a um ano de eleições…

Dadas as circunstâncias, este jogo do empurra até acaba por ser tipicamente português, salvando a cara das duas partes e permitindo-lhes fazer com que a culpa pareça estar com a parte contrária – resta saber se a TCN ou a Câmara do Porto irão perder dinheiro. Quanto ao mercado do Bolhão, terá que aguardar, degradado, algum tempo mais por uma solução que, esperemos, tenha pelo menos algum mérito mais que o mercantilista projecto agora abandonado.





Sócrates e o triunfalismo precoce

4 08 2008

Na primeira página do Público de hoje:

Carro eléctrico não vai ter efeito pretendido na economia

Empresas descontentes com a pequena dimensão do projecto

As negociações com a Nissan-Renault sobre os carros eléctricos caminham para uma versão reduzida. Ou seja, fica-se pela comercialização sem qualquer produção industrial. Por outro lado, o consórcio formado para a rede de carregamento e substituição de baterias para estes veículos limpos dá sinais de menor interesse pelo negócio.

Não gosto de me pronunciar como optimista ou pessimista acerca de um projecto antes de ter algumas certezas quanto às premissas do mesmo. Parece no entanto que, numa altura em que para além do gongorismo de Sócrates praticamente só havia pontos de interrogação sobre os moldes em que este se desenrolaria, alguns pessimistas impenitentes tiveram razão, mesmo antes de tempo, nas suas previsões…





Cavaco contra a autonomia “à espanhola”

1 08 2008

Do pseudo-tabu e do comunicado de Cavaco Silva de ontem faço duas leituras e um ponto prévio (e de acordo com as opiniões que tenho lido, todas condizentes, já sei que vou ser polémico).

Ponto prévio: muita gente não entendeu ou não gostou da pompa de uma declaração às 20h em ponto para televisão ver, inédita neste mandato presidencial, em relação a uma matéria que não é vista como respeitante ao interesse nacional: os Açores ficam longe e esta é uma matéria meramente regional. Eu compreendi: a mensagem a interiorizar é que os Açores são Portugal, tão importantes como qualquer outra região.

Primeira leitura: a posição de Cavaco e a forma que quis que tomasse são um aviso à Madeira e ao sr. Jardim, que espera a conclusão deste caso para encetar a sua própria revisão do estatuto de autonomia, de que não serão tolerados (pelo menos não por ele) quaisquer “excessos de autonomia”, tendentes a iniciar um caminho – e isso depreende-se das entrelinhas das palavras de Cavaco em relação também aos Açores – rumo a um processo de autonomização do género do levado a cabo aqui ao lado em Espanha, e que resultados tão caóticos tem produzido nos últimos tempos.

Em segundo lugar, é um sinal que o Presidente pretendeu poderoso ao PS para que este depure o projecto de estatuto dos pontos que criticou, sob pena – mais uma vez as entrelinhas das entrelinhas – de arriscar um veto presidencial e iniciar um braço de ferro entre Belém e São Bento (seja o Parlamento – a bancada da maioria e também as outras, que aprovaram por unanimidade o projecto – ou o Governo). Neste ponto em concreto, e admitindo que se repita o voto de unanimidade quando da reapreciação do diploma, o Presidente pouco poderá fazer (embora jogue habilmente com os timings das eleições regionais açoreanas, já que o PS pretende ter o novo estatuto aprovado a tempo do escrutínio já marcado para Outubro, o que dificilmente acontecerá se o processo emperrar em Belém), mas o mesmo poderá muito facilmente não acontecer em casos futuros – a começar por leis importantes (o estatuto laboral da administração pública) que se encontram já no gabinete de Cavaco para promulgação, e continuando por futuras e já antevistas dificuldades para aprovar nova legislação fulcral.

Lá se vai a cooperação estratégica pelo cano…





Citações sobre a Quinta da Fonte

17 07 2008

Mais citações do Público de ontem, aqui da crónica de Rui Tavares. O tema principal é a crítica a quem defende a tese “racista” dos ataques na Quinta da Fonte, mas o que me interessa salientar é a análise às várias causas do que se passou.

“Acima de tudo, não misturem o que não é para ser misturado. Crime trata-se como crime, armas ilegais como armas ilegais, integração como integração, imigração como imigração.”

Esta é sobre a tese racista: “Os ciganos da Quinta da Fonte, dependendo de que ciganos são, nem sequer são imigrantes: podem estar aqui neste país há quinhentos anos. Os negros da Quinta da Fonte, dependendo de que negros são, provavelmente nem são imigrantes: podem ter nascido aqui, ou ser oriundos de países onde nós andámos quinhentos anos.”

“Cada aspecto da realidade – o crime, as armas ilegais, o bairro social, o racismo e preconceito interétnico, as comunidades fechadas – pede uma discussão que merece ir longe.”





Bem vindos ao Turquemenistão

9 04 2008

No Público de hoje, uma notícia aparentemente provinda do correspondente deste pasquim no Turquemenistão:

“PND pede estátua de 50 metros a Jardim (…) o PND propõe que no “próximo orçamento regional seja reservada uma verba adequada para esta importante obra de reconhecimento e gratidão”. Com 50 metros e fundida em cobre, deverá, segundo a proposta, ser colocada na entrada do porto e “concebida de forma a possuir uma escada interior que permita aos visitantes a subida até à altura da cabeça, de onde poderão observar o Funchal, através dos olhos do seu amado líder”. Deverá ainda estar dotada de “um mecanismo propulsor interno que permita que a estátua acompanhe o movimento do sol, como fazem os girassóis”, e, do cimo, sair “um forte silvo que simbolize para as gerações vindouras os imortais dotes oratórios” de Jardim.”

Só faltou a comparação ao já defunto Saparmurat “Turkmenbashi” Nyazov…
Mas falando a sério, estava à espera que no final a notícia dissesse: “E então ele riu-se descontroladamente”.





O PCP e o Tibete: a minha resposta à resposta de Bernardino Soares

3 04 2008

Caro Bernardino Soares

(espero que não estranhes o tutoiement, é a minha norma blogosférica, bem como penso ser a norma comunista)

Obrigado antes de mais pela resposta, que sinceramente não esperava.

Muito folgo que, pelo menos, o PCP manifeste o seu pesar pelas vítimas e apele ao fim da violência e a uma resolução pacífica da questão.

Não sou no entanto ingénuo ao ponto de pensar que não existe manipulação da informação veiculada. Eu frisei isso na minha carta: sei que ela existe, e que existe dos dois lados (na tua resposta só referes a manipulação “ocidental”); tal como sei – porque isso também passou nos media ocidentais – que os protestos iniciais por parte de tibetanos assumiram também contornos violentos. Não estou como é óbvio de acordo com qualquer tipo de violência, possa ela ser justificada ou não, e julgo que o que escrevi antes deixa claro este meu ponto de vista.

Não compreendo no entanto as aspas relativas à “ocupação chinesa há mais de 50 anos”. É um facto que a China ocupou o Tibete há cerca de 50 anos. Ou o facto de haver militares chineses e orgãos de soberania chineses, contra a manifesta vontade dos Tibetanos, não é ocupação? E se é verdade que durante a maior parte da sua história o Tibete não foi independente, é igualmente um facto que o foi (pelo menos de facto) no período imediatamente anterior à ocupação chinesa.

O que está em causa, de resto, nem sequer é a questão da independência, pelo que nem sequer faz grande sentido levantá-la. Como bem dizes, os próprios Tibetanos não se opõem à soberania chinesa; opõem-se isso sim à sistemática aniquilação da sua cultura. O que está em causa é o princípio da auto-determinação, tal como o Dalai Lama repetidamente insiste (embora raramente seja ouvido neste aspecto), princípio que aliás está inscrito na Carta das Nações Unidas. Este não equivale necessariamente a independência, apenas, como é aqui o caso, do direito de cada povo a decidir de si próprio – e o Tibete não se importa de ser chinês, desde que isso permita a livre expressão da sua cultura e religião (que também não é tolerada pela China).

Quanto às tuas alegações em relação a feudalismos e formas de escravatura, não deixas de ter razão: são sistemas contrários aos Direitos Humanos. A sua abolição, porém, pode ser efectuada de múltiplas formas, e não exlusivamente pela força da bota chinesa. De resto, este é uma linha argumentativa perigosa: sob ela alicerçaram os Estados Unidos a sua invasão do Iraque, por exemplo, à qual (e bem) o PCP se opôs.

Alegro-me pelo facto de te teres dado ao trabalho de visitar o meu blog. Espero que talvez o visites novamente (não é preciso concordar com um blog para o ler), e até quem sabe deixar comentários, que seráo sempre bem vindos, concordantes ou não comigo. Quanto à questão do Kosovo, é outro assunto em que discordo com a linha adoptada pelo PCP (mais uma vez as antigas fidelidades a ditarem as suas regras…). O meu ponto de honra é a auto-determinação dos povos, não necessariamente dos países. A inviolabilidade das suas fronteiras deve ser sempre que possível adoptada como ponto de partida para a resolução de questões de auto-determinação (casos na Europa não faltam), mas quando tal não é possível há que avançar para alternativas. No Kosovo é patente que seria impossível a manutenção das fronteiras sérvias, com interferências externas, é certo, mas a partir do momento em que sucederam não se pode retirá-las de cena.

A minha nota final é para o teu argumento de que “é evidente que o apoio a movimentos separatistas por parte de potências ocidentais, é um reflexo do avanço de pretensões de ingerência directa e indirecta no território da China.”. Elas existem, como é óbvio – não sou ingénuo como te parece decorrer da minha carta – mas também existem por parte da China, por exemplo no Sudão. Chama-se realpolitik. Não gosto dela, seja por parte de quem for – Estados Unidos, China, Rússia, UE – mas existe. Dos dois lados, como tudo nesta questão (em todas as questões).


Cumprimentos,


António Rufino





O PCP e o Tibete: resposta de Bernardino Soares ao meu mail

3 04 2008

O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, respondeu – e em pessoa, sem recurso a gabinetes ou secretários, o que muito me lisonjeia – ao mail que enviei em relação à posição comunista face à violência no Tibete:

“Caro António Rufino

Com todo o respeito pelas opiniões expressas sobre a posição do PCP em relação ao voto sobre os acontecimentos no Tibete, não posso estar de acordo com elas.

Penso mesmo que são injustas em relação ao que realmente é a posição do PCP. Envio por isso a intervenção proferida por ocasião desse debate.

Desde logo em relação à questão dos Direitos Humanos nela se afirma clara e inequivocamente: “Não está em causa a manifestação de pesar do PCP em relação às vítimas, o seu desejo de que os conflitos tenham uma resolução rápida e pacífica, bem como os seus princípios de defesa da democracia e dos direitos humanos.”.

Mas independentemente disso é impossível, ou pelo menos de uma grande ingenuidade, não compreender todo o alcance do que se está a passar.

Dizer que há deturpação de informações, como no caso das imagens sistematicamente difundidas como sendo no Tibete, de cargas policiais que afinal eram no Nepal, ou no constante esquecimento de que os protestos na origem dos acontecimentos também foram violentos, não significa negar que existem situações para as quais entendemos dever haver uma solução pacífica, como afirma a nossa intervenção.

E não pode significar qualquer dúvida de que o PCP não abdica dos seus princípios de defesa da democracia e liberdade, de que são testemunhos eloquentes a nossa história, o nosso programa e a nossa actividade política diária. São esses que nos responsabilizam. É por esses que respondemos e não por quaisquer outros.

Chamo também a atenção para as deturpações históricas sistematicamente feitas sobre a história do Tibete, pense-se o que se pense sobre a sua situação actual ou sobre a China. É o caso das referências à “ocupação chinesa de há mais de 50 anos”, tese sistematicamente repetida e que não tem adesão à realidade. Para além de não se conhecerem quaisquer questionamentos formais à integração da região do Tibete na China, nem sequer das potências que visivelmente ao longo dos anos têm apoiado e até armado movimentos separatistas, a verdade é que o Tibete é uma das regiões da China, com maior ou menor autonomia, desde há 700 anos. O próprio Dalai-Lama não defende a independência do Tibete. Mesmo no período após a revolução popular chinesa essa integração não foi questionada, até pelo próprio Dalai-Lama, que aliás integrou a primeira Assembleia Nacional Popular da China e teve funções de governação no Tibete nesse período.

Seria interessante aliás analisar as razões para a divisão que entretanto aconteceu por parte da nobreza e de dirigentes religiosos tibetanos, e a sua ligação com as iniciativas de abolição da servidão e da escravatura vigentes até a essa data naquela região, bem como de um acesso mais justo à terra e aos meios de subsistência.

Uma nota final para a questão do respeito pela soberania dos países e dos povos e pelo direito internacional. É que esse princípio está crescentemente ameaçado nos tempos que correm, como bem se verifica na questão do Kosovo (em que verifico que assume no seu blogue como natural o reconhecimento por Portugal da independência deste território), e do Iraque, entre outras. No caso concreto essa é também uma realidade relevante, porque é evidente que o apoio a movimentos separatistas por parte de potências ocidentais, é um reflexo do avanço de pretensões de ingerência directa e indirecta no território da China.

Espero com isto ter contribuído para uma melhor compreensão da nossa posição em relação ao voto apresentado.

Cumprimentos,

Bernardino Soares”