Gauleses, gaulesas,
Sabiam vocês que a cultura aborígene, na Austrália, era pré-neolítica, desconhecendo a agricultura até à chegada dos Europeus?
Sabiam que com esse argumento só em 1967 os aborígenes foram reconhecidos como cidadãos da Austrália, uma vez que até aí não eram sequer vistos como humanos, antes como uma sub-espécie, atrasada e condenada à inexorável extinção?
Sabiam vocês, gauleses e gaulesas, o que é a stolen generation? A “geração roubada”, que na realidade são muitas gerações roubadas, centenas de milhar de crianças, gerações inteiras de crianças que foram retiradas à força aos pais e criadas por famílias de acolhimento – brancas e mais propensas a abusarem das crianças do que a educarem-nas – ou, na maior parte dos casos, por lares de acolhimento? Conseguem alcançar a repulsiva enormidade do que isso é?
Sabiam vocês, os poucos mas cultos e excelsos gauleses que ocasionalmente visitam esta aldeia blogosférica, desta realidade ainda mais abjecta que o pior dos apartheids?
Vem este discurso do vosso chefe gaulês preferido a propósito do gesto simbólico do novo primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, que ontem proferiu publicamente desculpa ao povo aborígene por todo o mal causado pelos brancos. Reconhecendo o carácter pluri-racial da Austrália, prometeu ainda desenvolver esforços para que de futuro a população branca e os aborígenes possam viver em harmonia, para que os aborígenes possam preservar a própria cultura, para que não sejam relegados para ghettos e possam viver com os mesmos direitos nas cidades australianas, entre os seus compatriotas anglo-saxónicos ou imigrantes de diversas origens. Não sei se foram estas as palavras ou se Rudd sequer referiu estes pontos, mas era este o espírito do seu discurso.
Sendo apenas simbólico, não deixa de ser um gesto enorme, esperança de boa vontade e integração futura, e merecedor de todos os aplausos!

