Sócrates e o triunfalismo precoce

4 08 2008

Na primeira página do Público de hoje:

Carro eléctrico não vai ter efeito pretendido na economia

Empresas descontentes com a pequena dimensão do projecto

As negociações com a Nissan-Renault sobre os carros eléctricos caminham para uma versão reduzida. Ou seja, fica-se pela comercialização sem qualquer produção industrial. Por outro lado, o consórcio formado para a rede de carregamento e substituição de baterias para estes veículos limpos dá sinais de menor interesse pelo negócio.

Não gosto de me pronunciar como optimista ou pessimista acerca de um projecto antes de ter algumas certezas quanto às premissas do mesmo. Parece no entanto que, numa altura em que para além do gongorismo de Sócrates praticamente só havia pontos de interrogação sobre os moldes em que este se desenrolaria, alguns pessimistas impenitentes tiveram razão, mesmo antes de tempo, nas suas previsões…





Recomendações de leitura: café turco com vistas invisíveis

29 07 2008

Não é muito habitual em mim elogiar e recomendar de forma tão estridente – isto é, estridente seria se alguém de facto viesse a ler este post – um blog ou, no caso, dois. Casos há, no entanto, em que o que lemos é tão interessante e, sobretudo, nos prende de tal forma, inexplicavelmente nos hipnotiza, que não há outra solução senão tentar que outros partilhem do encanto.

Agora servido em inglês, o Café Turco mantém todo o seu interesse, pela relevância do que lá é escrito – sobretudo quando as recentes notícias o relevam – mas também pela indissociabilidade da forma como é escrito da pessoa que o escreve (eu leria qualquer blog dela).

Ainda por cima, agora existe uma espécie de dose dupla de café turco – e cafeinómano como sou, tamanha dose de bom café nunca é de recusar. Trata-se do “blog irmão” do Café Turco, Invisible Sights. Escrito também em inglês, em directo de Belgrado, abordando temas incontornáveis daquele conturbado pedaço de Europa, é algo mais pessoal, “artístico”, mas nem por isso menos interessante, ou talvez por isso particularmente interessante. Algo na sua escrita nos prende e não nos larga, não nos deixa mesmo depois de fecharmos a janela do blog… Por exemplo:

As the news broke out, the sky started falling, dropping all its tears for Karadzic! All night it was heavily raining, on and on. Yet happily, I made my first morning steps. And raining it was still!

(…) The idea of Karadzic enjoying his time in my city quarter, Vracar, was giving me creeps all night, wouldn’t let me sleep: the monster was just by my side, , in a way, doesn’t even metter for how long! And I, his enemy (…) I still cannot celebrate. Yes, I shead a tear of joy on the big news. Yes, a little bit of justice has just taken place by the arrest. Yes, I think of a piece of relief most probably felt by Karadzic’s victims, and some I met in person, and I share their feeling. Yet, celebrate – I cannot! For, what has changed in the minds of my neighbours, of my parents, of most Serbian citizens, same ones I named just some lines above? I would say, by protests all around town, and outside the Special court (again the place I put trust in, again place I am familiar with), nothing changed in their minds!

Even the symbolic immage is on their side:

Rain, like tears… Oh, my!





O fiasco dos Javalis de Ouro 2007

25 03 2008
Gaulesas e gauleses, estou triste com vocês. Extremamente desiludido. A vossa participação na designação dos vencedores dos Javalis de Ouro 2007 foi um rotundo zero. Nem um voto…  Digam-me por favor: o que fiz mal? Foi o timing? O site das sondagens não funcionou? Gostaria de saber, para melhorar possíveis erros para a próxima edição…

Bom, já que ninguém votou, cabe-me a mim a democrática decisão (afinal, fui o único que votei) de designar os vencedores dos fabulosos, estelares, Javalis de Ouro. Sendo assim, os vencedores são:

Melhor filme:

Melhor realizador:

Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, Persepolis

Melhor argumento:

Melhor actor:

Daniel Day Lewis, There Will Be Blood

Melhor actriz:

Ellen Page, Juno