And God said: ‘Lines Aleph Zero to Aleph One – Delete’.
And the Universe ceased to exist.
Then She pondered for several aeons, and sighed.
‘Cancel Programme GENESIS’, She ordered.
It never had existed.
Este pequeno conto acima bem podia ser o epitáfio de Arthur C. Clarke, que deixou de existir ontem, aos 90 anos. Claro que ele nunca deixará de existir – o seu nome sobreviverá sempre, como autor de ficção científica, como nome de asteróide, como nome de órbita geoestacionária.
Acima de tudo, a sua influência sobre tantos que leram os seus livros e contos, tantos que viram os filmes inspirados no que escreveu, ficará.
Incluo-me nesse grupo. Posso mesmo dizer que foi Arthur C. Clarke que me mostrou o que era, ou o que podia ser, a ficção científica, que me ensinou a amá-la. Ele é, para mim, a própria definição de ficção científica: não o mero desenrolar de fantasias futurísticas, mas uma chave para, através do entrever de possíveis futuros do Homem, nos fazer pensar em questões políticas, metafísicas, religiosas – da guerra fria ao racismo, da consciência do lugar do Homem no Universo à própria noção de deus.
Em honra desse talvez meu primeiro grande ícone da literatura (porque enquanto a maior parte da ficção científica talvez não seja por muitos considerada literatura, a obra de Arthur C. Clarke é uma das honrosas excepções), que tanto me ensinou, tanto me fez pensar, que moldou tanto da forma como penso, das coisas em que penso, tanto daquilo que sou hoje, em honra de Arthur C. Clarke hoje o Altermundo veste-se de negro, não só como sinal de pesar mas também em honra dos mundos que nos deu a descobrir.
Também Assurancetourix na sua cabana decidiu honrá-lo, mudando por hoje a banda sonora de fundo desta aldeia. Para além disso, fica a imagem da capa da colectânea de todas as suas curtas histórias, perto de 1000 páginas que comprei há anos e nunca acabei de ler – o que me comprometo agora a fazer, junto com alguns dos seus livros que ainda não li.
Para quem esteja curioso sobre a sua obra, aconselho a começarem não pelo óbvio 2001 e sequelas, mas pela trilogia Rama – Rendezvous with Rama, The Garden of Rama e Rama Revealed. Passem depois por Childhood’s End, The Songs of Distant Earth e The Fountains of Paradise, e a vossa percepção do Universo, do mundo, do Homem, de vocês próprios, terá mudado para sempre.

