The National em Guimarães

19 07 2008

Os The National tocaram ontem, em Guimarães, no Festival Manta. Já tocaram inúmeras vezes em Portugal, mas quase sempre a Sul, pelo que foi a primeira oportunidade que tive de ver uma das minhas bandas preferidas ao vivo!

Para quem não conhece o Festival Manta, é organizado pelo Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. Faço aqui publicidade porque de imediato fiquei fã: boa organização, bom formato (apenas um concerto por dia, permitindo uma duração “normal” em vez dos 60 minutos habituais em festivais) e um preço que considero pouco mais que simbólico – os bilhetes custam uns meros € 10 por dia, ou €25 para os três dias. Vão se puderem hoje – tocam os Rinôçérose – que eu hei-de voltar em anos futuros!

Para além disso, há a localização. Os concertos têm lugar no jardim de um palacete já centenário, cenário bucólico e intimista na última luz do crepúsculo de uma noite de Verão.

Ideal portanto para uma banda como os The National, que não desiludiram. Devo dizer que não me deslumbraram, mas as minhas expectativas já eram bastante altas e foram cumpridas. As habituais músicas intimistas, ora lentas ora aceleradas, as letras a reflectirem todo um mal de vivre urbano pós-depressão e pós-relacionamento amoroso mal sucedido, ou simplesmente as agruras, incongruências e ironias da vivência urbana pós-modernista.

Underline everything, I’m a professional in my beloved white shirt

I’m going down among the saints

Raise our heavenly glasses to the heavens! Squalor Victoria! Squalor Victoria!

Vivam portanto os The National!

Ainda por cima, no fim, a cereja no topo do bolo: alguns dos membros da banda, apenas findo o concerto, deslocaram-se à parte lateral do palco para darem autógrafos, conversarem com os fãs, fumarem connosco, beberem uma cerveja connosco… Memorável.





Editors

4 04 2008





Portishead de honra

27 03 2008

Ver os Portishead foi, para começar, o culminar de 10 anos de espera – desde o seu anterior e único até agora concerto em Portugal, numa edição do Sudoeste a que não pude ir (PJ Harvey e Portishead na mesma noite… fiquei choroso e invejoso em casa, a ouvir os concertos na Antena 3, que na altura não se apanhava bem onde morava); desde os dois álbuns anteriores que muito me marcaram.
O concerto foi exactamente aquilo que se esperaria de um concerto dos Portishead, agora ou há 10 anos. Esta seria uma frase não muito positiva se se tratasse da maioria dos grupos, mas não neste caso, porque o que se espera dos Portishead é sempre muito, só pode ser muito. E muito foi o que eles deram…
Já tinha escrito que o novo álbum, “Third”, é mais radical, cru, agressivo. Mesmo sem estar à espera da repetição de “Dummy” ou “Portishead”, da primeira vez que o ouvi estranhei muito. Da segunda vez, estranhei menos. Da terceira, gostei bastante. Pois bem, em concerto as novas músicas quase parecem “velhas”, integrando-se perfeitamente entre os “clássicos” Mysterons, Over, Cowboys, Glory Box ou Wandering Stars - esta em versão mais despida, estilo “todos sentados no chão a tocar”.
De resto, para mim os melhores momentos da noite até foram algumas das novas canções – claro que os “clássicos” também estiveram à altura, mas esses trazem-nos os sorrisos de reconhecimento de um velho amigo que não víamos há muito tempo. Fabulosa foi We Carry On (a minha preferida de “Third“) a fechar o encore com Beth Gibbons a mergulhar nas primeiras filas de público para de lá só sair vários minutos depois, excelente Machine Gun (a canção mais estranha, que eles fazem questão que venha a ser o single de apresentação por esse mesmo motivo) a encher o coliseu de metralha disparada pela furiosa bateria, de arrepiar Threads e a voz de Beth Gibbons a entrar-nos pela espinha adentro.
Adormeci pois com estas imagens na mente,

acordei hoje ainda com estas canções nos ouvidos e ouço-as ainda enquanto escrevo (mais não seja por estar a ouvir o concerto no Windows Media Player), as guitarras, a bateria, a voz de Beth Gibbons marcando o ritmo a que dedilho o teclado…





O fiasco dos Javalis de Ouro 2007

25 03 2008
Gaulesas e gauleses, estou triste com vocês. Extremamente desiludido. A vossa participação na designação dos vencedores dos Javalis de Ouro 2007 foi um rotundo zero. Nem um voto…  Digam-me por favor: o que fiz mal? Foi o timing? O site das sondagens não funcionou? Gostaria de saber, para melhorar possíveis erros para a próxima edição…

Bom, já que ninguém votou, cabe-me a mim a democrática decisão (afinal, fui o único que votei) de designar os vencedores dos fabulosos, estelares, Javalis de Ouro. Sendo assim, os vencedores são:

Melhor filme:

Melhor realizador:

Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, Persepolis

Melhor argumento:

Melhor actor:

Daniel Day Lewis, There Will Be Blood

Melhor actriz:

Ellen Page, Juno




It’s Portishead time!

22 03 2008
Só faltam 4 dias (para mim e para os restantes Portisheadianos portuenses, por uma vez beneficiados em relação aos lisboetas) para o mais aguardado regresso dos últimos 10 anos – os mesmos 10 anos que os Portishead demoraram a regressar…
Como já repararam pela decoração e pela banda sonora desta aldeia, já estou em plena contagem decrescente, em pleno estágio para o que afortunadamente será o primeiro concerto da tournée de apresentação do novo álbum, “Third”, ainda não oficialmente disponível – já sabem o que quer aqui dizer “oficialmente”…
(off the record, aqui neste blog recôndito onde ninguém presta atenção, já o tenho: o download demorou 5 minutos – cerca de 60 Mb, façam as contas à velocidade e ao número de fontes disponíveis um mês antes do lançamento do álbum… – e apenas direi aos fâs hard core que não esperem a recriação dos melífluos momentos trip-hop dos dois álbuns anteriores: aqui temos algo muito diferente, radical quase, muito mais cru, tão diferente que vou demorar a entranhar e poder dizer se é bom ou não – para já é apenas diferente, muito diferente)

PS – Vá lá, votem lá nos filmes…





Apelo à participação democrática

20 03 2008

Já há quase uma semana que está disponível a votação para os Javalis de Ouro – melhores filmes de 2007 aqui no Altermundo, e constato para minha grande tristeza que ainda ninguém votou – zero votantes.
Eu bem sei que este ano falhei redondamente o melhor timing para esta iniciativa, que é por altura dos Oscares, mas mesmo assim estão-me a desiludir, caros gauleses! Nem um de vocês se dignou votar?! Realmente, o nível de participação democrática parece espelhar o do país em que vivemos…
Vamos, votem!!





Flames to dust… Arthur C. Clarke (1917-2008)

19 03 2008
siseneG

And God said: ‘Lines Aleph Zero to Aleph One – Delete’.
And the Universe ceased to exist.
Then She pondered for several aeons, and sighed.
‘Cancel Programme GENESIS’, She ordered.
It never had existed.

Este pequeno conto acima bem podia ser o epitáfio de Arthur C. Clarke, que deixou de existir ontem, aos 90 anos. Claro que ele nunca deixará de existir – o seu nome sobreviverá sempre, como autor de ficção científica, como nome de asteróide, como nome de órbita geoestacionária.
Acima de tudo, a sua influência sobre tantos que leram os seus livros e contos, tantos que viram os filmes inspirados no que escreveu, ficará.
Incluo-me nesse grupo. Posso mesmo dizer que foi Arthur C. Clarke que me mostrou o que era, ou o que podia ser, a ficção científica, que me ensinou a amá-la. Ele é, para mim, a própria definição de ficção científica: não o mero desenrolar de fantasias futurísticas, mas uma chave para, através do entrever de possíveis futuros do Homem, nos fazer pensar em questões políticas, metafísicas, religiosas – da guerra fria ao racismo, da consciência do lugar do Homem no Universo à própria noção de deus.
Em honra desse talvez meu primeiro grande ícone da literatura (porque enquanto a maior parte da ficção científica talvez não seja por muitos considerada literatura, a obra de Arthur C. Clarke é uma das honrosas excepções), que tanto me ensinou, tanto me fez pensar, que moldou tanto da forma como penso, das coisas em que penso, tanto daquilo que sou hoje, em honra de Arthur C. Clarke hoje o Altermundo veste-se de negro, não só como sinal de pesar mas também em honra dos mundos que nos deu a descobrir.
Também Assurancetourix na sua cabana decidiu honrá-lo, mudando por hoje a banda sonora de fundo desta aldeia. Para além disso, fica a imagem da capa da colectânea de todas as suas curtas histórias, perto de 1000 páginas que comprei há anos e nunca acabei de ler – o que me comprometo agora a fazer, junto com alguns dos seus livros que ainda não li.
Para quem esteja curioso sobre a sua obra, aconselho a começarem não pelo óbvio 2001 e sequelas, mas pela trilogia Rama – Rendezvous with Rama, The Garden of Rama e Rama Revealed. Passem depois por Childhood’s End, The Songs of Distant Earth e The Fountains of Paradise, e a vossa percepção do Universo, do mundo, do Homem, de vocês próprios, terá mudado para sempre.





Flames to dust… (encore altermundístico)

19 03 2008
Reunion

People of Earth, be not afraid. We come in peace—and why not? For we are your cousins; we have been here before.
You will recognize us when we meet, a few hours from now. We are approaching the solar system almost as swiftly as this radio message. Already, your sun dominates the sky ahead of us. It is the sun our ancestors and yours shared ten million years ago. We are men, as you are; but you have forgotten your history, while we have remembered ours.
We colonized Earth, in the reign of the great reptiles, who were dying when we came and whom we could not save. Your world was a tropical planet then, and we felt that it would make a fair home for our people. We were wrong. Though we were masters of space, we knew so little about climate, about evolution, about genetics….
For millions of summers—there were no winters in those ancient days—the colony flourished. Isolated though it had to be, in a universe where the journey from one star to the next takes years, it kept in touch with its parent civilization. Three or four times in every century, starships would call and bring news of the galaxy.
But two million years ago, Earth began to change. For ages it had been a tropical paradise; then the temperature fell, and the ice began to creep down from the poles. As the climate altered, so did the colonists. We realize now that it was a natural adaptation to the end of the long summer, but those who had made Earth their home for so many generations believed they had been attacked by a strange and repulsive disease. A disease that did not kill, that did no physical harm – but merely disfigured.
Yet some were immune; the change spared them and their children. And so, within a few thousand years, the colony had split into two separate groups – almost two separate species – suspicious and jealous of each other.
The division brought envy, discord, and, ultimately, conflict. As the colony disintegrated and the climate steadily worsened, those who could do so withdrew from Earth. The rest sank into barbarism.
We could have kept in touch, but there is so much to do in a universe of a hundred trillion stars. Until a few years ago, we did not know that any of you had survived. Then we picked up your first radio signals, learned your simple languages, and discovered that you had made the long climb back from savagery. We come to greet you, our long-lost relatives—and to help you.
We have discovered much in the eons since we abandoned Earth. If you wish us to bring back the eternal summer that ruled before the Ice Ages, we can do so. Above all, we have a simple remedy for the offensive yet harmless genetic plague that afflicted so many of the colonists.
Perhaps it has run its course—but, if not, we have good news for you. People of Earth, you can rejoin the society of the universe without shame, without embarrassment.
If any of you are still white, we can cure you.





Está aberta a caça aos Javalis de Ouro!

15 03 2008

Com muito atraso, da minha inteira responsabilidade e preguiça (só agora terminei de ver, com “There Will Be Blood” – recomendo unicamente pela prestação de Daniel Day Lewis, de resto não é grande coisa – os filmes da “colheita” que vai a prémios), coloquei finalmente no Altermundo a votação para os Javalis de Ouro – melhores filmes de 2007/08.
Tal como no ano passado, há 5 categorias (filme, realizador, argumento, actor, actriz), e 5 nomeados em cada uma. Peço-vos que votem, e que sigam os links dos filmes caso não o tenham visto, para pelo menos saberem do que se trata.

Filmes nomeados para este ano pelo excelso chefe Abraracourcix:

4 nomeações:
In the Valley of Elah, filme, realizador (Paul Haggis), argumento, actor (Tommy Lee Jones)

3 nomeações:
Control, filme, realizador (Anton Corbijn), actor (Sam Riley)
Eastern Promises, filme, realizador (David Cronenberg), argumento
Persepolis, filme, realizador (Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud), argumento

2 nomeações:
Shortbus, argumento, actriz (Sook-Yin Lee)

1 nomeação:
Paradise Now, filme
Iklimler (Climas), realizador (Nuri Bilge Ceylan)
Atonement, argumento
The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, actor (Casey Affleck)
There Will  Be Blood, actor (Daniel Day Lewis)
No Country for Old Men, actor (Javier Bardem)
4 luni, 3 saptamâni si 2 zile (4 meses, 3 semanas e 2 dias), actriz (Anamaria Marinca)
Juno, actriz (Ellen Page)
Michael Clayton, actriz (Tilda Swinton)
Lust, Caution, actriz (Wei Tang)





“Persepolis”, mais um filme a não perder

29 02 2008

Enquanto não chegam as nomeações para os Javalis de Ouro – este fim-de-semana já estarei em condições de tratar disso, em princípio – mais uma recomendação do chefe: “Persepolis“!
É um filme auto-biográfico de animação que retrata a infância e juventude de Marjane Satrapi, uma contestatária iraniana que acabou por fugir do país e que através da sua história pessoal retrata o Irão, desde pouco antes da queda do Xá até ao presente.
Para além de a animação ser artisticamente bela, o argumento está bem montado, as vozes bem adaptadas à história (Chiara Mastroianni – deliciosa a versão de “Eye of the Tiger” cantada pela própria em versão “canto muito mal porque estou a ouvir o walkman e não ouço a própria voz” – não cantámos já todos assim?), Catherine Deneuve…), o filme prende-nos à sua história pessoal e à do Irão, enternece-nos, revolta-nos, dá-nos vontade de a conhecer, de visitar o seu país… Não percam!