Encurralados

De volta às lides blogosféricas depois de um período talvez demasiado longo de hibernação. Muito mudou enquanto estive ausente deste blog: alguns dos irredutíveis gauleses cujos blogs acomapanhava deixaram de escrever, outros continuam, fiéis à sua irredutibilidade, outros sem dúvida hão-de surgir; Portugal é um país diferente, o mundo é um local diferente do que era há meros dois anos.

E na busca pelos blogs irredutíveis sobreviventes, pelas notícias, procurando inspiração sobre o que escrever neste meu regresso, snto-me encurralado. Sinto-me num beco sem saída, que estamos todos num beco sem saída. Podemo-nos insurgir contra tudo o que quisermos, contra a troika, contra o racismo económico da UE, contra o sistema político que nos domina. Faz bem à saúde, a insurgência. Mas não traz soluções. Ficaremos sem dúvida a sentir-nos um pouco melhor – pelo menos em paz com a nossa consciência – mas não traremos nenhuma solução.

Eu, que não sou nenhum D. Sebastião, não a tenho, a essa solução miraculosa que faria de Portugal um país decente, dos nossos políticos pessoas decentes, dos políticos europeus pessoas solidárias e, sim, europeias, em vez de alemães, franceses, etc., dos países árabes em revolução primaveril sítios pacificados e dos seus povos pessoas felizes.

O que é pior, infinitamente pior, é que sinto que essas soluções não existem. Podemo-nos sentir revoltados contra a denominada troika, mas qual é a solução alternativa? O economista que há em mim arrepia-se com soluções de renegociação ou pura  e simples recusa de pagamento de juros usurários, porque sei que, por muito mal que estejamos – e estamos, e ainda viremos a estar bem pior – com essas catárcticas soluções viríamos a ficar muito, mas muito pior.

E então, sobre o que escrever? Sinto-me sem energia, prostrado, num país sem energia e prostrado. E por isso sinto-me encurralado, num país de encurralados, num mundo também ele sem saber para onde ir, o que fazer.

Talvez escrever de novo neste blog seja a minha catarse, talvez neste cantinho irredutível blogosférico que vou recomeçar a explorar encontre algum benemérito irredutível gaulês que me ajude nessa catarse…

Entretanto, por Toutatis, pelo menos que o céu não nos caia em cuma da cabeça…

Trackbacks / Pingbacks

  1. Adeus Público, olá alternativas « O irredutível gaulês - 28 Junho 2011

Deixar um comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.