O Público de hoje traz um artigo de fundo com opiniões de Christoph Bertram, especialista em política internacional, sobre como a forma de lidar com o Irão por parte do Ocidente tem estado profundamente errada., a propósito do lançamento do seu livro Rethinking Iran: From Confrontation to Cooperation. O título é bastante elucidativo, por isso deixo-vos apenas as partes onde fala de uma questão que ainda não tinha visto suscitada desta forma: a de como a forma de estimular o fim da teocracia iraniana é precisamente dialogar com ela.
Se houver uma parceria que não esteja centrada no nuclear, o regime iraniano perde um inimigo externo e tem mais dificuldade em controlar uma população descontente.
“A liderança iraniana tem medo que demasiados contactos e cooperação possam prejudicar, até certo ponto, a sua legitimidade”, destaca Bertram. Por isso, não haverá perspectiva de parceria a curto prazo. No entanto, se insisto numa parceria, é porque temos de pensar na relação a longo prazo com o Irão.”
Sobre um eventual ataque israelita, Bertrand alerta: “Seria uma loucura! Duvido que alguém numa posição de responsabilidade em Washington venha a apoiar tais planos. Se quisermos que o Irão tenha a bomba nuclear, então devemos lançar um ataque militar. Seria a maneira mais segura de deixar o Irão determinado a produzir a bomba”.
(…) Embora seja verdade que Teerão tenha enviado no passado centenas de milhares de jovens para morrer [na luta] contra o Iraque agressor, a sobrevivência do seu próprio regime sempre foi mais importante, na realidade foi a principal razão para sacrificar essas vidas. O facto de um Estado basear a legitimidade dos seus líderes na religião não significa que seja suicida.”
O Irão é um país ao qual vou sempre estando deveras atento, que mesmo para além da espuma das notícias – algo ausente ultimamente – me interessa bastante. Pela sua história, pela sua cultura, e este ano pelo facto de alguns meus amigos e a minha mulher lá irem passar férias – desgraçadamente eu, o mentor da ideia, não vou devido ao meu novo e inesperado fôlego profissional…


[...] pelo mäelstrom da crise, antes não tenho tido disponibilidade, absorvido que tenho estado pela partida da minha alma gémea, a Bonemine, para o Irão – desde ontem em terras persas – tinha que aproveitar o tempo que ela cá [...]