Kosovo versus Ossétia do Sul

12 08 2008

Não consigo deixar de me perguntar qual a diferença entre o Kosovo e a Ossétia do Sul.

No primeiro caso, tratava-se de um território étnica e culturalmente específico que aspirava à auto-determinação do país administrante, a Sérvia, que sempre negou estas pretensões. Perante a degradação da situação – e simplificando uma história muitíssimo complexa – esta última acabou por intervir militarmente no Kosovo, o que levou ao mobilizar da comunidade internacional a favor do Kosovo e, perante a oposição da Rússia (aliada de Belgrado), à entrada da NATO no território e conflito declarado com a Sérvia. Neste momento o Kosovo proclamou já a independência, reconhecida pelos EUA e pela maioria dos países da UE.

No caso da Ossétia do Sul, trata-se também de um território com especificidade étnica e cultural em relação tanto à Geórgia como à Rússia, e que reivindica a auto-determinação (neste caso, pretende a inclusão na Rússia e a unificação com a Ossétia do Norte). Legalmente pertence à Geórgia, que recusa a pretensão de secessão do território. A situação degradou-se a ponto de a Geórgia intervir militarmente, provocando a reacção da Rússia e o recuo georgiano, apoiado diplomaticamente pelas potências ocidentais. A Ossétia do Sul auto-proclamou a independência nos anos 90, a qual não foi reconhecida por nenhum país.

Eu sei que a política internacional é infinitamente mais complexa que isto, mas custa-me a compreender a total simetria entre estes dois casos aparentemente idênticos de auto-determinação de povos, um direito inscrito na Carta das Nações Unidas.

O único ponto em comum à posição das potências ocidentais é a oposição à Rússia. Isto parece-me um reflexo pavloviano próprio de uma mentalidade de guerra fria, e de resto ineficaz para resolver os casos em questão, pelo menos numa perspectiva não meramente local e de curto prazo. Sim, a Rússia está-se novamente a afirmar como potência à escala mundial (pelo menos Moscovo assim o pretende), mas a resposta já não pode passar pelos mesmos moldes dos anos da guerra fria. O mundo do séc. XXI é bastante mais complexo e exigirá por isso respostas bastante mais complexas. Assim o compreendam rapidamente as chancelarias ocidentais.


Acções

Informação

Publicar um comentário