Radovan Karadžić já não é um fugitivo: foi ontem capturado pelas forças de segurança sérvias. Espera-se que seja em breve decidida a sua extradição para Haia para ser julgado pelo TPIJ. Eu espero, adicionalmente, que desta vez o julgamento vá até ao fim e que ele sobreviva para saber que passará o resto da sua vida atrás das grades.
Ao que parece, Karadžić vivia em Belgrado sob um eficiente disfarce (a imagem disponível no site da BBC mostram-no com uma barba “saddamesca”). Claro que isto não explica que tenha conseguido iludir tudo e todos durante 13 anos: isso explica-se antes pelo puro desinteresse sérvio em capturá-lo, tal como a Ratko Mladić, face a uma opinião pública e política generalizadamente avessa a qualquer colaboração com o TPIJ (desde sempre visto como ilegítima ingerência ocidental em assuntos internos sérvios).
Não deixa por isso de ser sintomático que a sua captura ocorra pouco tempo depois da tomada de posse do novo governo sérvio – uma heteróclita coligação entre o partido eurofórico do presidente Boris Tadić, os socialistas (cada vez menos o partido radical do tempo de Milošević e mais um partido socialista “tradicional”) e várias pequenas formações. Ainda segundo a BBC, tal deve-se a uma mudança consciente de rumo e, particularmente, à substituição do chefe da secreta sérvia, que terá retirado cobertura política a quem sabia do paradeiro de Karadžić.
A captura é assim uma boa notícia para o governo, mas também para a própria Sérvia e o seu futuro, tal como é uma boa notícia para a Europa. E é um bom momento para o TPI e a sua cruzada contra os crimes de guerra cometidos na débâcle da ex-Jugoslávia.
Agora só falta mesmo o ignóbil Mladić.


[...] Turco mantém todo o seu interesse, pela relevância do que lá é escrito – sobretudo quando as recentes notícias o relevam – mas também pela indissociabilidade da forma como é escrito da pessoa que o escreve [...]