Estava a comentar mais uma interessante análise do Dissidente X quando me apercebi do rumo que o meu comentário levou, e do peso do que estava a escrever. Porque é o assunto da moda, incontornável pelo peso que tem no nosso sistema de vida – o petróleo – decidi adaptá-lo a post.
Ultimamente tenho visto alguns comentários isolados, de pseudo-analistas, de jornalistas e de bloggers (por grau crescente de relevância) que começam por “quando o preço do petróelo baixar…”.
Sempre que leio isto não consigo evitar um sorriso triste (como gostava que fosse um sorriso irónico…) e penso como estão iludidos, ou melhor, como querem estar iludidos. O grande problema é que ainda não nos consciencializámos da realidade, melhor, ainda não nos quisermos consciencializar. É o mesmo que quando custa acreditar que um parente próximo está para morrer: é o tipo de má notícia que temos tendência a negar para manter a sanidada mental, e compreendo este mecanismo.
Contudo, por muito que queira acreditar, não consigo. Não creio que o petróleo baixe nem sequer aos 100 dólares, embora gostasse de estar redondamente errado.
Não estou a ser catastrofista e sei precisamente o que vou dizer e o peso do que vou dizer. O preço do petróleo não vai baixar, pelo menos não significativamente (gostava de acreditar nos 100 dólares…), e não mais do que no curto prazo (dias, semanas no máximo).
Podem gravar as minhas palavras. O preço do petróleo não vai baixar nunca mais.
O que é grave é que como ainda não nos quisemos consciencializar disto, ainda não pensámos a sério, mesmo a sério, em como terá de ser o mundo depois disso.
O petróleo vai acabar, isso é óbvio – por isso se chama recurso não renovável. Em relação a quando vai acabar, suspeito que as petrolíferas tenham uma ideia bem mais nítida do que o que deixam transparecer…
Especula-se muito sobre o “pico do petróleo”, o momento em que a produção petrolífera chegará ao máximo e começará a baixar, alguns dizem mesmo que esse pico já passou e não nos dizem para não criar alarmismo…
Acredito que se não aconteceu (nãio excluo a hipótese), está para acontecer nos próximos anos, o que explica a histeria crescente dos mercados. Mas claro que ninguém nos vai avisar disto…

